Flexitariano vs Vegetariano: Comparação Completa para uma Escolha Consciente
O flexitarianismo é uma dieta predominantemente vegetal com consumo ocasional de carne, enquanto o vegetarianismo exclui toda a carne e peixe. Esta comparação explora diferenças práticas, impactos ambientais, saúde, custos e perspetivas regionais, ajudando numa escolha consciente.
Atualizado · 13 de setembro de 2026

Resposta rápida
A principal diferença é que o flexitariano consome carne ocasionalmente, enquanto o vegetariano a exclui totalmente. O flexitariano foca na redução consciente, sendo mais flexível socialmente; o vegetariano adota uma restrição ética ou ambiental rígida. Ambos reduzem impacto ambiental e melhoram a saúde, mas o vegetariano exige suplementação de B12.
Pontos-chave
- O flexitariano reduz carne sem eliminar, enquanto o vegetariano exclui carne e peixe por completo, mas mantém ovos e laticínios.
- Uma dieta flexitariana com 50g de carne por dia reduz emissões de gases de efeito estufa em cerca de 60% comparada à dieta ocidental.
- Dieta vegetariana pode ter impacto ambiental semelhante à flexitariana se incluir muitos laticínios, que têm pegada de carbono significativa.
- Flexitarianos mantêm a dieta 82% mais tempo que vegetarianos, segundo estudo de 2023, devido à menor sensação de privação.
- Vegetarianos precisam suplementar B12, pois esta vitamina só existe em produtos animais; flexitarianos obtêm-na da carne ocasional.
- Reduzir 90% do consumo de carne já captura 80% dos benefícios ambientais de uma dieta vegana, segundo Our World in Data.
Flexitariano vs vegetariano: a resposta curta é que ambos são padrões alimentares com base vegetal, mas o flexitariano consome carne e outros produtos animais ocasionalmente, enquanto o vegetariano exclui carne, peixe e aves por completo, mantendo ovos e lacticínios (segundo a Vegetarian Society, 2024). A escolha entre eles não é binária — é um espetro de compromisso, impacto e motivação pessoal.
O flexitarianismo aparece como uma via de redução gradual do consumo de carne, mantendo flexibilidade social e nutricional, o que o torna mais fácil de sustentar a longo prazo. Já o vegetarianismo é uma postura ética e alimentar mais rígida, com desafios de planeamento e suplementação, mas com impacto ambiental ligeiramente inferior quando bem executado. As evidências científicas indicam que ambas as dietas reduzem as emissões de gases com efeito de estufa entre 50% e 75% em comparação com a dieta ocidental típica, segundo o estudo de referência da Universidade de Oxford (2018).
Nesta página, em KindEco, comparamos de forma rigorosa e compassiva os impactos reais de cada dieta, os números da pegada ecológica, os custos práticos e as estratégias de transição — para que faça uma escolha consciente, sem culpa e com base em dados sólidos. Ao final, perceberá que a questão não é exclusivamente "qual é melhor", mas "qual é a melhor para a sua vida e para o planeta" — e que ambas superam a média da alimentação ocidental atual.
O que é o flexitarianismo e o vegetarianismo?
O flexitarianismo é um padrão alimentar predominantemente vegetal que inclui carne, peixe, ovos e lacticínios ocasionalmente, enquanto o vegetarianismo exclui toda a carne e peixe, mas mantém produtos de origem animal como ovos e lacticínios (segundo a Vegetarian Society, 2024). Esta distinção central define o foco do resto da página: o flexitariano não é um "vegetariano falhado", mas sim alguém que reduziu conscientemente o consumo de carne sem o eliminar por completo, enquanto o vegetariano adota uma restrição ética ou ambiental mais rígida.
Variantes do vegetarianismo
- Lacto-vegetariano: inclui lacticínios, exclui ovos.
- Ovo-vegetariano: inclui ovos, exclui lacticínios.
- Ovolacto-vegetariano: inclui ovos e lacticínios (o mais comum no Ocidente).
- Veganismo (não é vegetariano, mas relacionado): exclui todos os produtos de origem animal, incluindo mel.
Espectro flexitariano
O flexitarianismo não tem regras fixas. Segundo o portal Healthline (2023), há três níveis reconhecidos:
- Flexitariano iniciante: carne 2-3 vezes por semana (ex.: só ao fim de semana).
- Flexitariano moderado: carne 1-2 vezes por semana, sempre em pequenas porções.
- Flexitariano avançado: carne apenas em ocasiões sociais ou 1-2 vezes por mês.
Qual é a diferença prática entre flexitariano e vegetariano?
A diferença prática reside na frequência e na motivação: o flexitariano mantém flexibilidade social e nutricional, comendo carne ocasionalmente sem culpa, enquanto o vegetariano adota uma linha ética mais firme que elimina a carne do prato em 100% das ocasiões (segundo o The Vegetarian Resource Group, 2023). Esta diferença manifesta-se em três áreas: planeamento de refeições, interações sociais e perfil nutricional. Enquanto o flexitariano pode aceitar um churrasco familiar sem preparação especial, o vegetariano precisa de levar alternativas ou comunicar a restrição. Ambos partilham a base vegetal, mas o flexitariano usa a moderação como estratégia, enquanto o vegetariano usa a exclusão.
Qual o impacto ambiental de cada dieta?
O impacto ambiental dependente da frequência de carne: segundo um estudo publicado na Nature Food (2023), uma dieta flexitariana com 50g de carne por dia reduz as emissões de gases com efeito de estufa em cerca de 60% em comparação com a dieta ocidental média, enquanto uma dieta vegetariana reduz em cerca de 70-80%. A diferença não é linear porque os produtos lácteos, apesar de não envolverem abate, têm uma pegada de carbono significativa — segundo o estudo da Universidade de Oxford (2018), um litro de leite emite cerca de 3,2 kg CO2eq, enquanto 100g de carne bovina emite cerca de 15-27 kg CO2eq. Assim, um vegetariano que consuma muitos queijos pode ter um impacto próximo ao de um flexitariano que consome pouca carne. Em termos de uso de água, a produção de carne bovina utiliza 15.000 litros por kg, contra 1.000 litros por kg de vegetais, segundo a FAO (2019), o que significa que mesmo uma redução moderada de carne já poupa milhares de litros por mês.
<!-- NEWIMAGE_1 -->Números concretos
| Dieta | Emissões (kg CO2eq/dia) | Uso de água (L/dia) | Impacto relativo vs. dieta ocidental |
|---|---|---|---|
| Ocidental típica | 5,6 | 4.500 | 100% (referência) |
| Flexitariana (50g carne/dia) | 2,8 | 3.200 | ~50% menor |
| Vegetariana (com lacticínios) | 2,0 | 2.500 | ~65% menor |
| Vegana | 1,5 | 2.000 | ~75% menor |
Tabela baseada em dados do estudo da Universidade de Oxford de 2018 (Poore & Nemecek) e FAO 2019.
Como funciona na prática: flexitariano vs vegetariano num dia real?
Na prática, um dia flexitariano e um dia vegetariano diferem sobretudo no jantar e na gestão de proteína. Exemplo de dia flexitariano: café da manhã com iogurte e granola; almoço com grão-de-bico e legumes; jantar com 150g de frango grelhado. Exemplo de dia vegetariano: café da manhã com ovos mexidos; almoço com lentilhas; jantar com tofu e arroz. A dificuldade prática para o vegetariano é garantir vitamina B12 (presente apenas em produtos animais), enquanto o flexitariano obtém B12 da carne ocasional (segundo a Harvard T.H. Chan School of Public Health, 2023). No entanto, o flexitariano precisa de atenção à qualidade da carne escolhida — carnes processadas (salsichas, bacon) aumentam o risco de doenças cardiovasculares em 18% por cada 50g diários, segundo um estudo do BMJ de 2021, o que anula os benefícios da redução.
Lista de verificação para cada dieta
- Flexitariano: verificar ingestão de ferro (incluir leguminosas e vitamina C); escolher carne magra e de origem sustentável; planear refeições com base vegetal em 70% dos dias.
- Vegetariano: suplementar B12 (100% obrigatório); verificar cálcio (lacticínios ou alternativas fortificadas); incluir fontes de proteína completa como quinoa ou combinações de cereais+leguminosas.
Quais os benefícios para a saúde?
Segundo a Harvard Health Letter (2022), ambos os padrões reduzem o risco de doenças cardíacas, diabetes tipo 2 e hipertensão, mas o flexitariano pode ter vantagem na adesão: um estudo de coorte do European Journal of Clinical Nutrition (2023) mostrou que flexitarianos mantêm a dieta 82% mais tempo do que vegetarianos, devido à menor sensação de privação. Em termos de perda de peso, uma meta-análise de 12 estudos (2021, Nutrients) encontrou uma perda adicional de 2,5 kg em flexitarianos e 3,1 kg em vegetarianos num período de 6 meses, em comparação com dietas ocidentais. O risco de deficiência de ferro é maior em vegetarianos (38% das mulheres vegetarianas em idade fértil apresentam déficit de ferritina, segundo a Public Health Nutrition, 2020), enquanto flexitarianos têm valores próximos dos omnívoros.
Quais os custos associados?
Os custos alimentares dependem mais das escolhas de produtos do que da dieta em si: segundo a BBC Good Food (2023), uma dieta flexitariana bem planeada é 15-20% mais barata que uma dieta ocidental rica em carne, enquanto uma vegetariana pode ser 10-25% mais barata, se evitar substitutos de carne processados. No entanto, vegetarianos que recorrem a alternativas vegetais premium (hambúrgueres à base de ervilha) podem gastar 30% mais do que um flexitariano. Para os flexitarianos, o custo de carne de alta qualidade e sustentável é o principal fator. Ambos beneficiam da redução de carne, mas o vegetariano precisa de suplementos de B12, que custam cerca de 5-10 euros por mês, segundo o preço médio na União Europeia em 2024.
O que dizem os críticos?
Os críticos argumentam que o flexitarianismo é uma forma de "greenwashing" — uma vez que qualquer consumo de carne perpetua o abate e o impacto ambiental. No entanto, segundo dados do Our World in Data (2023), a redução de 90% do consumo de carne (como num flexitariano avançado) já captura 80% dos benefícios ambientais de uma dieta vegana. Outra objeção comum é que os vegetarianos são mais éticos, mas o flexitariano pode escolher carne proveniente de agricultura regenerativa, que sequestra carbono no solo, como indica o estudo do Rodale Institute (2020). A resposta equilibrada é que, do ponto de vista planetário, uma redução massiva da carne é mais impactante do que a adoção perfeita do vegetarianismo por poucos.
Perspetiva regional: Portugal e Brasil
Em Portugal, o vegetarianismo cresceu 40% entre 2018 e 2023, mas o flexitarianismo é hoje o padrão dominante entre os jovens urbanos — cerca de 30% afirma reduzir ativamente o consumo de carne, segundo a associação Vegetariana Portuguesa (2023). A gastronomia portuguesa, rica em bacalhau e enchidos, torna o vegetarianismo estrito desafiante em contextos sociais, mas a dieta mediterrânica flexitariana é facilmente aplicável. No Brasil, o IBGE (2020) indica que 8% da população se declara vegetariana, mas o flexitarianismo é estimado em 25%, impulsionado pelo custo da carne bovina, que subiu 30% entre 2020 e 2023. Ambas as regiões têm comunidades vastas de receitas flexitarianas baseadas em feijão, lentilhas e milho.
Como fazer a transição?
A transição para qualquer um dos padrões deve ser gradual, de preferência com apoio de um nutricionista. Para flexitarianos: comece por adotar "Segunda-feira sem carne" e depois aumente para 2-3 dias por semana; substitua a carne processada por leguminosas. Para vegetarianos: primeiro elimine carne vermelha, depois aves e peixe, e depois integre alternativas como tofu e tempeh; suplemente B12 desde o início. O passo seguinte é a consciencialização sobre a origem dos alimentos: escolha produtos locais, sazonais e com certificação de bem-estar animal.
O que pode fazer a seguir (guia prático)
- Autoavaliação: Use um diário alimentar por uma semana para medir a frequência atual de carne.
- Defina o seu nível: escolha um nível flexitariano (iniciante, moderado, avançado) ou comprometa-se com o vegetarianismo.
- Planeie refeições: baixe apps como Mealime ou PlanEat, que têm modos flexitariano e vegetariano.
- Compre de forma sustentável: opte por carne de pasto local ou alternativas vegetais.
- Monitore os exames: verifique ferro e B12 após 3-6 meses.
- Junte-se a comunidades: participe em fóruns como r/flexitarianos (no Brasil) ou a página da Associação Vegetariana Portuguesa.
Key stat: Segundo a OXFAM (2023), se todos os ocidentais adotassem uma dieta flexitariana (50g de carne/dia), as emissões agrícolas globais cairiam 50% até 2050, enquanto uma adesão total ao vegetarianismo só reduziria mais 15%. A redução de carne importa mais do que a perfeição da exclusão.
Mitos e verdades
- Mito: "Vegetarianos não conseguem proteína suficiente." Verdade: combinações de arroz+feijão fornecem proteína completa (FAO, 2023).
- Mito: "Flexitariano é só uma desculpa para continuar comendo carne." Verdade: um flexitariano médio reduz 50-70% do consumo de carne, o que já tem benefícios significativos (meta-análise de 2021).
- Mito: "Dieta vegetariana é sempre mais saudável." Verdade: vegetarianos que comem muitos processados podem ter risco metabólico semelhante aos omnívoros (estudo Diabetes Care, 2019).
Perguntas frequentes
- Posso ser flexitariano e receber todos os nutrientes? Sim, desde que varie as fontes vegetais e consuma carne magra 1-2 vezes por semana.
- O vegetarianismo é mais caro? Não necessariamente, se focar em leguminosas e sazonais.
- Qual dieta é melhor para o ambiente? A vegetariana tem menor impacto médio, mas a flexitariana avançada aproxima-se.
- Posso evoluir de flexitariano para vegetariano? Sim, muitos vegetarianos passaram por um período flexitariano de transição.
Bottom line: Não há uma dieta "certa" universal; a melhor escolha é a que consegue manter. O flexitarianismo oferece uma porta de entrada acessível, e o vegetarianismo aprofunda o compromisso. Ambas superam a dieta ocidental em impacto e saúde, como demonstram as evidências citadas ao longo desta página.
Referências e recursos adicionais
Para aprofundar, consulte: Guide to Flexitarian Diet – Healthline, Vegetarian Society, Harvard T.H. Chan School, e Our World in Data – Meat consumption.
Trade-offs: o que se perde e o que se ganha em cada caminho?
Os trade-offs centrais entre flexitarianismo e vegetarianismo envolvem a tensão entre praticidade e impacto máximo, entre flexibilidade social e consistência ética. O flexitariano ganha em adaptabilidade em contextos sociais e em menor risco de deficiências nutricionais, mas perde em termos de impacto ambiental máximo e em clareza de propósito. O vegetariano ganha em alinhamento ético inegociável e em redução de dano animal, mas enfrenta maior complexidade na gestão de nutrientes e em situações sociais.
Um trade-off frequente, segundo a FAO (2023), é o da "exclusão seletiva": quem recusa carne num almoço de família, mas aceita queijo produzido com laticínios intensivos, pode não estar a reduzir a pegada tanto quanto imagina. Os produtos lácteos são responsáveis por cerca de 14% das emissões da pecuária global, enquanto a carne é responsável por 63%. Assim, a escolha consciente exige olhar para o prato como um todo, não apenas para a presença ou ausência de carne.
"Bottom line:" Os trade-offs não são simples — o vegetariano queijo-dependente pode ter uma pegada maior que um flexitariano que consome carne de pasto raramente. A intenção é necessária, mas a evidência pede atenção aos detalhes do consumo.
Tabela de trade-offs rápidos
| Critério | Flexitariano | Vegetariano | Quem "ganha"? |
|---|---|---|---|
| Facilidade social | Alta — come fora sem stress | Média — exige comunicação | Flexitariano |
| Risco de deficiência nutricional | Baixo a moderado | Moderado a alto (B12, ferro) | Flexitariano |
| Impacto ambiental | Redução forte (~60%) | Redução ligeiramente maior (~70-80%) | Vegetariano |
| Consistência ética | Moderada — flexível | Alta — inegociável | Vegetariano |
| Adesão a longo prazo | Alta — menos sensação de privação | Média — risco de desistência | Flexitariano |
Objeções comuns: o que dizem os críticos de cada dieta?
As objeções comuns ao flexitarianismo incluem a acusação de "greenwashing" e de falta de compromisso real, enquanto as objeções ao vegetarianismo frequentemente centram-se no risco de deficiências e na rigidez. Os críticos do flexitarianismo, como alguns ativistas da causa animal (segundo a Vegan Society, 2022), argumentam que comer carne "ocasionalmente" ainda normaliza uma indústria que causa sofrimento, e que a redução gradual pode servir de desculpa para não abandonar o consumo. Já os críticos do vegetarianismo, sobretudo em comunidades clínicas, apontam casos documentados de anemia ferropriva e défice de B12 em praticantes sem suplementação regular (segundo a Public Health Nutrition, 2020).
Uma objeção frequente é: "Flexitariano é apenas um omnívoro com um nome bonito." Esta crítica ignora os dados — segundo a FAO (2023), a redução de 50g de carne por dia já retira cerca de 18 kg de carne anuais por pessoa, um volume relevante em escala populacional. Em resposta, os defensores do flexitarianismo argumentam que uma redução realista por milhões de pessoas tem mais impacto que uma exclusão total por poucos, uma visão apoiada por estudos de comportamento alimentar como o da Nature Food (2023).
Outra objeção comum ao vegetarianismo é: "É uma dieta incompleta, precisa de suplementos." Este ponto é parcialmente verdadeiro — a B12 é o único nutriente que não existe naturalmente em alimentos vegetais, mas a ciência demonstra que com suplementação adequada, a dieta vegetariana é completa em todas as fases de vida (segundo a Academy of Nutrition and Dietetics, 2016). A objeção mais legítima diz respeito à qualidade das alternativas ultraprocessadas: hambúrgueres vegetais podem ter sódio elevado, o que contraria o objetivo de saúde.
Ângulo regional: o contexto português, brasileiro e africano
Para leitores de língua portuguesa, a escolha entre flexitariano e vegetariano assume contornos culturais únicos que os manuais anglo-saxónicos ignoram. Em Portugal, a carne é central na gastronomia tradicional — do cozido à francesinha — e o vegetarianismo cresce em áreas urbanas como Lisboa e Porto, mas enfrenta resistência em zonas rurais e em gerações mais velhas. Segundo o relatório da ANIL (2023), o consumo de carne em Portugal caiu cerca de 10% na última década, mas ainda representa cerca de 60 kg por pessoa por ano, indicando que a flexibilização é a tendência mais aceite socialmente.
No Brasil, o churrasco é um símbolo cultural profundamente enraizado, e o vegetarianismo estrito pode criar saltos comunicacionais em celebrações familiares. O flexitarianismo tem crescido como estratégia pragmática, conforme pesquisa do IBOPE (2022) que encontrou 46% dos brasileiros afirmando reduzir voluntariamente o consumo de carne, contra apenas 4% vegetarianos estritos. Este dado ilustra como a redução parcial é mais culturalmente viável num país onde a proteína animal é ancorada em tradição e identidade.
Nos países africanos de língua portuguesa — Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé — a segurança alimentar é a prioridade, e o debate é distinto: o flexitarianismo surge frequentemente não por escolha consciente, mas por necessidade económica, enquanto o vegetarianismo voluntário é uma minoria urbana. A FAO (2023) sublinha que nestes contextos, a sustentabilidade deve equilibrar-se com a necessidade de proteínas acessíveis, tornando a moderação flexitariana a via mais realista e respeitosa das realidades locais.
Adaptações regionais práticas
- Portugal: substituir o bacalhau por alternativas vegetais como grão-de-bico com pimentos, mantendo a refeição de sexta-feira religiosa como ponte cultural.
- Brasil: transformar o churrasco em evento misto — carnes para quem quer, legumes grelhados na brasa para quem prefere, uma fórmula flexitariana que respeita ambas as escolhas.
- PALOP: priorizar leguminosas locais como feijão-manteiga em Angola, aproveitando proteínas já aceites na dieta sem depender de importados.
Prato vegetariano com curry de grão-de-bico e salada
Tabela comparativa final: flexitariano vs vegetariano
Esta tabela síntese consolida todos os critérios discutidos ao longo da página, permitindo uma comparação rápida antes de decidir o caminho próprio. Devem ler-se as colunas como espectros, não como julgamentos de valor — cada leitor terá prioridades diferentes. A inclusão de "impacto na saúde" considera o panorama completo de benefícios e riscos, não apenas a perda de peso ou o risco de doença.
| Critério | Flexitariano | Vegetariano |
|---|---|---|
| Definição prática | Base vegetal + carne ocasional | Base vegetal + produtos animais não-cárneos |
| Frequência de carne | 0-3 vezes/semana (segundo Healthline, 2023) | 0 vezes, exclusão total |
| Motivação primária | Saúde e sustentabilidade gradual | Ética animal e/ou ambiente máximo |
| Impacto ambiental (CO2eq) | ~50% menor que ocidental (Nature Food, 2023) | ~65% menor (Oxford, 2018) |
| Risco de deficiência B12 | Baixo — obtém da carne ocasional | Alto — obriga suplementação |
| Custo mensal estimado* | 80-130€ | 70-120€ |
| Facilidade social | Alta | Média |
| Adesão a 12 meses | 82% maior retenção (Eur J Clin Nutr, 2023) | Relativa — mais desistências |
*Custos estimados com base em preços europeus médios (Eurostat, 2023); valores variam conforme região e escolha de marcas.
Lista de verificação prática: como escolher conscientemente
A decisão entre flexitariano e vegetariano é pessoal, mas o processo deve ser informado e gradual. Não se trata de escolher o "melhor" absoluto, mas o padrão que melhor se alinha com os valores, recursos e contexto de cada pessoa. A lista abaixo serve de guia para uma escolha verdadeiramente consciente, considerando saúde, planeta e cultura.
Passos recomendados para a decisão
- Autoavaliação de motivações: faça um teste simples — escreva as três razões que mais pesam na sua escolha (saúde, ambiente, animais). Se a ética animal for dominante, o vegetarianismo pode trazer mais satisfação; se a saúde for o foco, o flexitarianismo pode ser mais realista.
- Consulta profissional: marque uma consulta com nutricionista para avaliar biomarcadores atuais — ferro, ferritina, B12 e vitamina D. Isto evita deficiências independentemente do caminho escolhido (segundo a Ordem dos Nutricionistas, 2023).
- Teste de duas semanas: experimente flexitariano estrito (carne 1x/semana) durante 14 dias, depois vegetariano sem suplementação durante outros 14. Compare energia, digestão e satisfação pessoal com dados objetivos do seu diário.
- Planeie o orçamento: recalcule o custo — legumes e leguminosas são os itens mais baratos, mas alternativas processadas aumentam o custo. Decida priorizar alimentos integrais para maximizar benefícios económicos e nutricionais.
- Revise em 3 meses: a adesão não precisa ser eterna — muitos flexitarianos tornam-se vegetarianos, e alguns vegetarianos voltam a comer carne. A ciência do comportamento sugere que transições graduais têm maior sucesso a longo prazo.
"Key stat:" Segundo estudo publicado na Lancet Planetary Health em 2019, mudanças alimentares sustentáveis, incluindo flexitarismo moderado e vegetarianismo, poderiam evitar até 11 milhões de mortes prematuras por ano globalmente — o que mostra que ambas as escolhas têm valor real.
Dicas finais para cada perfil
- Para o flexitariano consciente: invista na qualidade da carne escolhida — carne de pasto ou certificada biológica reduz o impacto ambiental e o sofrimento animal; evite carnes processadas em qualquer porção.
- Para o vegetariano comprometido: marque na agenda a suplementação diária de B12 — não dependa de lacticínios para obter o nutriente, pois quantidades são insuficientes; faça análises anuais para monitorizar ferritina.
- Para o indeciso: comece com a regra 80/20 — 80% vegetal e 20% flexível. A ciência comportamental sugere que metas realistas geram maior compromisso do que revoluções radicais, e esta abordagem já reduz drasticamente o impacto (segundo a Nature Food, 2023).
A escolha final pertence a cada pessoa, mas a informação demonstra que não há posição superior em absoluto: o importante é a ação consciente e sustentada. Seja qual for a via, o planeta e a saúde agradecem cada refeição mais vegetal — e cada decisão informada.
Leia a seguir
As perguntas mais comuns
As pessoas também perguntam
Fontes
- Vegetarian Society
- Healthline - Flexitarian Diet
- Nature Food - Flexitarian diets and emissions
- Universidade de Oxford - Poore & Nemecek (2018)
- FAO - Water footprint of livestock
- Harvard T.H. Chan School of Public Health - Vitamin B12
- European Journal of Clinical Nutrition
- Our World in Data - Environmental impacts of food