O leite de amêndoa faz mal ao ambiente? O que diz a ciência e como escolher melhor
O leite de amêndoa tem pegada hídrica elevada e impacto sobre as abelhas, mas emite muito menos gases de efeito estufa que o leite de vaca. Alternativas como aveia e soja tendem a ser mais equilibradas, mas a amêndoa não é a pior opção.
Atualizado · 6 de setembro de 2026

Resposta rápida
O leite de amêndoa não faz mal ao ambiente de forma absoluta, mas tem trade-offs: usa muita água (371 L/litro) e afeta abelhas na Califórnia, porém emite 80% menos CO2 que o leite de vaca. Para menor impacto, prefira aveia ou soja, e consuma amêndoa ocasionalmente, de preferência de origem europeia.
Pontos-chave
- O leite de amêndoa usa cerca de 371 litros de água por litro, mas o leite de vaca usa 628 litros.
- Emissões de CO2 do leite de amêndoa são 0,4 kg/litro, 80% menores que as do leite de vaca (3,2 kg/litro).
- A produção de amêndoa concentra-se na Califórnia, onde representa até 10% da água agrícola do estado.
- Mais de 70% das colmeias comerciais dos EUA são usadas na polinização de amêndoas, com mortalidade anual de 30-40%.
- Leite de aveia e soja têm pegadas bem menores: 48 e 28 litros de água por litro, respectivamente.
- A escolha regional importa: amêndoas de climas úmidos (Europa) têm impacto menor que as da Califórnia.
O leite de amêndoa tornou-se um símbolo do veganismo moderno, mas também alvo de críticas ambientais. Será que essa bebida vegetal é realmente um problema para o planeta? A resposta não é simples: depende de qual métrica você olha. Nesta página, analisamos os dados científicos sobre água, emissões, uso da terra e biodiversidade para te ajudar a decidir com consciência.
A curta resposta é que o leite de amêndoa não faz mal ao ambiente na mesma medida que o leite de vaca, mas tem custos ocultos em água e polinização. A ciência mostra que, em emissões de gases de efeito estufa e uso da terra, a amêndoa é muito mais leve que o leite de vaca (0,4 kg CO2e vs 3,2 kg por litro). Contudo, o consumo de água é elevado (371 litros por litro) e concentrado em regiões áridas como a Califórnia. Alternativas como aveia e soja apresentam impactos menores na maioria dos indicadores, tornando-as escolhas mais equilibradas para o planeta.
Este guia explica a evidência por trás dos números, os trade-offs de cada bebida e como escolher melhor no dia a dia, com base em dados de fontes como Our World in Data e a FAO. O objetivo é dar-te informação clara e acionável, sem dogmas, para que possas tomar decisões alinhadas com os teus valores ambientais.
The short answer
O leite de amêndoa tem pegada hídrica elevada e impacto sobre as abelhas, mas a sua pegada de carbono é muito inferior à do leite de vaca. Não é a pior opção para o clima, nem a melhor para a água. Na prática, o leite de amêndoa não é "mau" — é uma escolha com trade-offs, e alternativas como aveia ou soja tendem a ser mais equilibradas. A ciência mostra que, em termos de emissões e uso da terra, a amêndoa supera o leite de vaca; o problema concentra-se na água e na polinização comercial, especialmente na Califórnia. Portanto, a resposta à pergunta central é: depende da métrica, mas globalmente não é a pior opção, nem a mais sustentável.
The evidence
A Agência de Proteção Ambiental dos EUA e estudos académicos (Poore & Nemecek, 2018, com médias globais) mostram que, por litro, o leite de amêndoa usa cerca de 371 litros de água (incluindo a água da chuva), enquanto o leite de aveia usa cerca de 48 litros e o de soja, 28 litros. Já o leite de vaca exige cerca de 628 litros por litro, mais que o de amêndoa, mas a amêndoa é cultivada predominantemente na Califórnia, uma região com secas recorrentes e stress hídrico extremo. Ou seja, o impacto local é desproporcional.
Em termos de emissões de gases de efeito estufa, o leite de amêndoa emite cerca de 0,4 kg de CO2 equivalente por litro, contra 3,2 kg do leite de vaca — uma diferença de 80%. O uso da terra também é menor: a amêndoa ocupa cerca de 0,13 m² por litro, contra 8,95 m² do leite de vaca. Mas a amêndoa tem um custo oculto: a polinização. As abelhas melíferas são transportadas em larga escala para os pomares, o que pode espalhar doenças e causar perdas de colónias. Estima-se que mais de 70% das colmeias comerciais nos EUA sejam usadas em amêndoas, com mortalidade anual que chega a 30-40%.
Contudo, é preciso contexto: esses impactos são menores do que os da pecuária leiteira. A vaca também exige pastagens, ração e água, e produz metano, um gás de efeito estufa potente. A pegada ecológica do leite de amêndoa é real, mas não é linearmente "pior" que a do leite de vaca.
Dados comparativos por litro de bebida
| Bebida | Água (litros) | Emissões (kg CO2e) | Uso da terra (m²) |
|---|---|---|---|
| Leite de vaca | 628 | 3,2 | 8,95 |
| Leite de amêndoa | 371 | 0,4 | 0,13 |
| Leite de aveia | 48 | 0,2 | 0,03 |
| Leite de soja | 28 | 0,2 | 0,04 |
*Fonte dos valores: Our World in Data e Poore & Nemecek (2018), com médias globais; os valores de água variam conforme o método de cálculo e a origem.
Porque a água é o calcanhar de Aquiles
A água é o principal problema do leite de amêndoa, mas não porque o consumo total seja o mais alto, e sim porque a produção está concentrada em regiões com stress hídrico. A Califórnia produz cerca de 80% das amêndoas do mundo (de acordo com o Almond Board da Califórnia, 2023), e enfrenta secas recorrentes há décadas. Em anos de seca severa, a irrigação de amêndoas pode representar até 10% de toda a água agrícola do estado, segundo o Departamento de Recursos Hídricos da Califórnia. Além disso, o método de cálculo de pegada hídrica de 371 litros inclui a água da chuva, mas a água de irrigação (retirada de aquíferos) é mais crítica. Estudos de processos, como o de Mekonnen e Hoekstra (2011), mostram que a pegada hídrica azul (águas superficiais e subterrâneas) da amêndoa é desproporcionalmente alta, agravando o problema local.
Em comparação, a aveia e a soja podem ser cultivadas em climas temperados e húmidos, como na Europa, onde a chuva é mais abundante e a irrigação é mínima. Assim, o leite de amêndoa não é "mau" em termos absolutos, mas é problemático quando produzido em zonas áridas. A alternativa é procurar amêndoas de origem europeia (Espanha, Portugal, Itália) ou de regiões com menor stress hídrico, embora a produção global ainda seja dominada pela Califórnia.

As abelhas e a polinização: qual é o custo real?
A polinização comercial da amêndoa é uma das principais críticas ambientais, mas os dados pedem nuance. Segundo o USDA (2023), mais de 70% das colmeias comerciais dos EUA são transportadas para os pomares de amêndoa na Califórnia a cada primavera. Essa migração massiva estressa as abelhas, aumenta a transmissão de patógenos e contribui para a mortalidade anual que, segundo a apicultura comercial, pode chegar a 30-40%. No entanto, a mortalidade das abelhas também é alta em monoculturas de soja e milho usadas para ração animal, devido a pesticidas, como mostram estudos da Universidade de Sussex (2021). A perda de habitat é um factor maior de declínio de insetos do que a amêndoa, segundo a FAO.
Práticas mais amigas das abelhas estão a emergir: alguns produtores na Califórnia reduziram o uso de neonicotinoides e criaram corredores floridos entre os pomares, com resultados positivos em estudos piloto. Para o consumidor, a escolha mais segura é optar por marcas com certificação orgânica ou que publiquem políticas de polinização. A resposta à objeção "as amêndoas matam abelhas" é: o impacto é real, mas menor que o da agricultura animal para ração, e está a ser mitigado.
Análise regional: o contexto local importa
O impacto do leite de amêndoa varia dramaticamente com a região de produção. Na Califórnia, o stress hídrico agrava a pegada; em Espanha ou Portugal, o clima é mais húmido em algumas áreas, embora a irrigação ainda seja necessária na Andaluzia. Em Portugal, a produção de amêndoa tem crescido no Alentejo, onde o regadio é limitado, mas a pegada pode ser menor comparada à Califórnia. Na Europa, a água é geralmente mais abundante, mas há exceções, como o sul de Espanha, que sofre secas. Assim, a escolha regional é crucial: prefira amêndoas de áreas com chuva natural (norte de Portugal, Itália) ou opte por leite de aveia ou soja produzidos localmente, que têm pegadas baixas em quase todos os aspetos.
Comparativo ampliado: leites vegetais e de vaca
Ampliamos a comparação para incluir arroz e coco, muitas vezes esquecidos. O leite de arroz tem pegada hídrica elevada (cerca de 270 litros por litro) e emite metano, devido ao cultivo em campos inundados; o coco tem emissões mais altas devido ao transporte de regiões tropicais. A tabela abaixo sumariza os dados por litro:
| Bebida | Água (litros) | Emissões (kg CO2e) | Uso da terra (m²) | Notas |
|---|---|---|---|---|
| Leite de vaca | 628 | 3,2 | 8,95 | Metano, uso de terra extensivo |
| Leite de amêndoa | 371 | 0,4 | 0,13 | Stress hídrico na Califórnia, polinização |
| Leite de aveia | 48 | 0,2 | 0,03 | Baixo impacto geral; produção local possível |
| Leite de soja | 28 | 0,2 | 0,04 | Impacto baixo, mas atenção a desmatamento em alguns casos |
| Leite de arroz | 270 | 1,2 | 0,26 | Metano; água elevada |
| Leite de coco | 200 (var.) | 0,7 | 0,15 | Transporte, potencial desflorestação |
Valores aproximados, baseados em Poore & Nemecek (2018) e Our World in Data; arroz e coco com variações amplas.
How this works in practice (Como funciona na prática)
Na prática, para reduzir o impacto ambiental, a ordem de prioridade é: trocar leite de vaca por qualquer leite vegetal é o passo mais significativo. Dentro dos vegetais, aveia e soja são as opções mais equilibradas (menor água, baixas emissões, pouco uso de terra). Leite de amêndoa pode ser consumido ocasionalmente, preferindo origem europeia ou certificações com compromisso hídrico. No dia a dia, pequenas mudanças fazem a diferença: alternar entre bebidas vegetais, comprar embalagens maiores para reduzir resíduos, e verificar selos como EU Organic ou Rainforest Alliance.
Passos práticos para escolher melhor
- ✅ Verifique a origem da amêndoa no rótulo; prefira Espanha ou Portugal (climas menos áridos que a Califórnia).
- ✅ Escolha leite de aveia ou soja para uso diário em cafés e cereais.
- ✅ Opte por embalagens de vidro ou Tetra Pak com certificação FSC.
- ⚠️ Atenção ao açúcar e aditivos; leites vegetais naturais são melhores para a saúde também.
- ♻️ Apoie marcas que publicam relatórios de sustentabilidade.
Custo e trade-offs: nem tudo é perfeito
Embora o leite de amêndoa tenha menor pegada de carbono que o de vaca, ele não é isento de trade-offs. O custo económico é maior para o consumidor, mas o custo ambiental está escondido: a água na Califórnia é subsidiada, e o preço não reflete o stress hídrico. Para o produtor, a amêndoa é lucrativa, mas arriscada em cenários de seca. Em termos de saúde, o leite de amêndoa é baixo em proteína (1g por porção) em comparação ao de soja (7g) ou ao de vaca (8g), o que pode ser relevante para quem depende dessas bebidas. No balanço, a amêndoa é um luxo ambiental comparado à aveia, mas ainda muito melhor que o leite de vaca.
Objeções comuns e respostas baseadas em ciência
"As amêndoas matam abelhas." É verdade que a polinização comercial causa stress e mortalidade, mas a mortalidade das abelhas também é alta na agricultura de vacas (através do cultivo de ração como soja e milho, que usam pesticidas). Estudos mostram que a perda de habitat para a soja é mais ameaçadora para a biodiversidade que a amêndoa. Além disso, algumas explorações já adoptam práticas mais amigas das abelhas, como a redução de pesticidas e a criação de corredores floridos.
"O leite de amêndoa é mais poluente que o leite de vaca" — Não nas emissões ou no uso da terra. Essa afirmação é falsa na maioria dos estudos. Mesmo com o transporte e embalagem, o leite de amêndoa tem menor impacto climático. O problema concentra-se na água e na dependência de um monocultivo.
"Basta beber leite de vaca orgânico." O leite orgânico ainda exige vacas, que emitem metano e consomem grandes quantidades de água e ração. A pegada é maior que a de qualquer leite vegetal, incluindo a amêndoa. A exceção é se considerarmos apenas a água global, mas mesmo assim, essa opção não reduz a pressão sobre o clima.
💡 Insight final: A ciência é clara: o leite de amêndoa não é o vilão, mas também não é o herói. Existem escolhas melhores, e o mais importante é abandonar o leite de vaca.
"Bottom line: O leite de amêndoa é 8x melhor para o clima que o de vaca, mas 10x pior em água do que a aveia. A escolha mais sustentável é variar e priorizar aveia/soja."
O que podes fazer a seguir (What you can do next)
- Muda para leite de aveia ou soja no consumo diário — reduz drasticamente a pegada hídrica e climática.
- Se consumires amêndoa, escolhe origem europeia ou marcas com certificação de sustentabilidade hídrica.
- Apoia políticas agrícolas que incentivem culturas adaptadas ao clima local e práticas amigas das abelhas.
- Informa-te e partilha este guia com amigos — a mudança individual tem efeito multiplicador.
- Reduz o desperdício de embalagens, preferindo leites em Tetra Pak com FSC ou vidro retornável.
- Acompanha a ciência — as métricas evoluem; consulta fontes como Poore & Nemecek (2018) e FAO.
Cada escolha é um ato político; ao optar por leites vegetais, estás a reduzir a procura de pecuária leiteira, uma das maiores pressões ambientais. E lembra-te: nenhuma bebida é perfeita, mas todas as vegetais superam o leite de vaca.
Trade-offs: o que ganha e o que perde ao escolher leite de amêndoa
A escolha do leite de amêndoa envolve trocas claras entre diferentes critérios ambientais, nutricionais e económicos — não existe uma opção perfeita. Em relação ao leite de vaca, ganha-se significativamente em emissões de carbono (redução de cerca de 80%, segundo Poore & Nemecek, 2018) e em uso da terra (0,13 m² por litro, contra 8,95 m² do leite de vaca), mas perde-se quando o critério é a água, especialmente em regiões áridas como a Califórnia. Em relação a outros leites vegetais, o leite de amêndoa tem geralmente menor pegada de carbono que o de arroz, mas maior que o de aveia e soja; na água, é o pior entre os vegetais, com cerca de 371 litros por litro, muito acima dos 48 litros da aveia e 28 litros da soja. O custo financeiro também é um trade-off: o leite de amêndoa costuma ser mais caro que o leite de vaca em muitos mercados, e significativamente mais caro que o de soja ou aveia produzidos localmente.
A nível nutricional, a amêndoa oferece gorduras monoinsaturadas saudáveis e vitamina E, mas é pobre em proteínas (cerca de 1 g por copo, contra 8 g do leite de vaca e 7 g do de soja). Muitas marcas adicionam cálcio e vitaminas, mas a biodisponibilidade pode variar; além disso, algumas versões contêm açúcares adicionados, o que anula parte do benefício para a saúde. O processamento também importa: bebidas de amêndoa mais concentradas (com maior percentagem de amêndoa) têm melhor perfil nutricional, mas custam mais e podem ter pegada hídrica ainda maior. Para consumidores que priorizam a saúde óssea sem laticínios, o leite de soja fortificado é frequentemente a alternativa mais equilibrada nas métricas ambientais e nutricionais.
✅ Trade-off central: amêndoa ganha no clima, perde na água; ganha na terra, perde na biodiversidade local por causa da polinização comercial. Não há um vencedor absoluto — depende de qual critério o consumidor considera mais urgente.
"Bottom line: o leite de amêndoa é uma escolha intermédia — melhor que o de vaca em quase tudo, mas pior que aveia e soja em vários critérios principais."
Objeções comuns: respondidas com ciência
Quem defende o leite de amêndoa costuma enfrentar objeções frequentes, e muitas delas merecem uma resposta matizada, não uma defesa incondicional. A primeira objeção é "as amêndoas matam as abelhas": como vimos, a mortalidade de colmeias na polinização comercial é real, mas estudos como o da Universidade de Sussex (2021) mostram que os pesticidas em monoculturas de soja e milho para ração animal causam danos maiores às populações de insetos. A segunda objeção é "o leite de amêndoa usa água a mais": o número de 371 litros por litro é impressionante, mas metade dessa água é chuva (pegada verde), não água de irrigação; a pegada azul (água de aquíferos e rios) varia, mas é mais crítica na Califórnia, menos noutras origens.
A terceira objeção é "todo o leite vegetal é ultraprocessado": isso depende da formulação — bebidas simples com água e amêndoa são menos processadas que refrigerantes, mas versões com açúcar, emulsionantes e aromas aproximam-se de produtos ultraprocessados. A quarta objeção é "o leite de amêndoa não é nutritivo": é verdade que tem pouca proteína, mas é rico em vitamina E e gorduras saudáveis; a fortificação com cálcio e B12 resolve parte da carência, desde que o consumidor não dependa apenas dele. Finalmente, a objeção "os leites vegetais são piores porque usam terra que podia alimentar pessoas" aplica-se mais à amêndoa do que à aveia, mas muito menos do que à pecuária: a produção de leite de vaca usa 70 vezes mais terra por litro, segundo Poore & Nemecek (2018), e essa terra poderia ser usada para alimentos humanos.
⚠️ O que responder a quem critica: reconheça os problemas, mas contextualize — a amêndoa não é a vilã do sistema alimentar, é um sintoma de escolhas agrícolas concentradas em regiões áridas. A ciência não pede que abandone o leite de amêndoa, mas que olhe para a origem e para alternativas mais equilibradas.
Ângulo regional para leitores de língua portuguesa
Para leitores em Portugal, Brasil, Angola, Moçambique e outros países lusófonos, a questão da origem é central, porque a produção local muda completamente a análise. Em Portugal, a amendoeira é cultivada tradicionalmente no Algarve e no Alentejo, mas a expansão recente com regadio no Alentejo reabriu debates sobre pressão hídrica no sul do país; no entanto, a produção portuguesa de amêndoa é muito menor que a californiana (segundo o INE, 2022, Portugal produz menos de 2% da amêndoa mundial), o que dilui o impacto global, embora o impacto local possa ser relevante em anos de seca. No Brasil, a produção de amêndoa é incipiente — a castanha-de-caju, que é um fruto similar, é muito mais comum, e o leite de castanha-de-caju é uma alternativa local interessante, com pegada hídrica menor que a amêndoa, segundo dados da Embrapa (2021).
Em Angola e Moçambique, a amêndoa é importada, geralmente de Espanha ou EUA, o que acrescenta emissões de transporte; a alternativa mais sustentável seria o leite de soja, já que a soja é cultivada em algumas regiões desses países, embora com preocupações sobre desflorestação. Para o consumidor português, a escolha mais responsável é: preferir leite de aveia ou soja produzido na União Europeia, que tem pegadas baixas em água e carbono; se quiser amêndoa, procurar origem espanhola (com certificação de uso eficiente de água) ou portuguesa do norte, onde há mais chuva natural. No Brasil, a amêndoa importada da Califórnia tem pegada de transporte alta, então leite de soja brasileiro (de produção não-desflorestante, de preferência) ou de castanha-de-caju local é mais coerente com a realidade regional.
🌱 Dica regional: o leite de amêndoa não é um produto "global" — o seu impacto depende de onde a amêndoa cresce e de onde o leite é processado. Em climas tropicais ou temperados, outras opções locais quase sempre vencem.
Comparativo ampliado: leites vegetais e de vaca em detalhe
Ampliamos a comparação para incluir leite de arroz, coco e castanha-de-caju, além dos já citados, para dar uma visão completa de como a amêndoa se posiciona. Segundo a Our World in Data (2023), o leite de arroz usa cerca de 270 litros de água por litro (menos que amêndoa, mas ainda alto) e tem emissões de cerca de 0,3 kg CO2e — ligeiramente menores que amêndoa, mas com uso de terra maior (0,25 m²). O leite de coco tem pegada hídrica baixa (cerca de 20-30 litros por litro, dependendo da origem), mas emissões de transporte elevadas se produzido na Ásia e consumido no Ocidente; o uso da terra é moderado, mas há preocupações com monocultura em alguns países tropicais. A castanha-de-caju, usada em leite no Brasil, tem pegada hídrica estimada em torno de 40-50 litros por litro, segundo a Embrapa, e pode ser local em vários países lusófonos.
Na tabela abaixo, consolidamos os dados médios globais para permitir comparação rápida, lembrando que valores podem variar segundo metodologia e origem.
| Bebida | Água (litros/litro) | Emissões (kg CO2e/litro) | Uso da terra (m²/litro) | Proteína (g/copo) |
|---|---|---|---|---|
| Leite de vaca | 628 | 3,2 | 8,95 | 8,0 |
| Leite de amêndoa | 371 | 0,4 | 0,13 | 1,0 |
| Leite de aveia | 48 | 0,2 | 0,03 | 3,0 |
| Leite de soja | 28 | 0,2 | 0,04 | 7,0 |
| Leite de arroz | 270 | 0,3 | 0,25 | 1,0 |
| Leite de coco | 30* | 0,4* | 0,15* | 2,0 |
| Leite de castanha-caju | 45* | 0,3* | 0,10* | 2,0 |
*Valores estimados por aproximação, segundo FAO (2023) e Embrapa (2021); variam conforme origem e processamento.
O que salta à vista: a soja e a aveia dominam em eficiência ambiental; a amêndoa fica no meio; o leite de coco depende muito do transporte. A escolha entre os leites vegetais deve considerar também o contexto local e a disponibilidade de produção.
Checklist prático: como escolher melhor hoje
✔️ Verifique a origem: procure no rótulo o país de origem das amêndoas; prefira origem europeia (norte de Portugal, Itália, Espanha com certificação hídrica) a californiana, se a água for a sua preocupação principal. ✔️ Compare a percentagem de amêndoa: versões com mais de 7-8% de amêndoa são mais nutritivas, mas custam mais; se o orçamento apertar, considere uma bebida mais concentrada e use menos quantidade. ✔️ Opte por sem açúcares adicionados: açúcar escondido anula benefícios; escolha versões "sem adição de açúcar" e leia a lista de ingredientes.
✔️ Dê prioridade a marcas com certificações ambientais: selos orgânicos, de comércio justo ou de eficiência hídrica indicam práticas mais responsáveis; a certificação do Almond Board da Califórnia também existe, mas é menos exigente que as europeias. ✔️ Considere alternativas locais: no Brasil, leite de castanha-de-caju ou de soja nacional; em Portugal, leite de aveia ou soja europeu; só use amêndoa se a origem for sustentável. ✔️ Não se esqueça da saúde óssea: se substitui o leite de vaca, escolha versões fortificadas com cálcio e vitamina B12, e inclua outras fontes de cálcio na dieta (brócolos, tofu, sementes de sésamo).
📉 Actionable next step: na próxima compra, compare três marcas de leite vegetal no supermercado, anote origem, percentagem de ingrediente, açúcar e certificações, e escolha a que tiver melhor perfil — o ato de comparar já educa o paladar e o bolso para escolhas mais informadas.

O que a ciência ainda não sabe e para onde olhar
A literacia científica sobre leite de amêndoa ainda tem lacunas importantes, e é honesto reconhecer as incertezas. Os números de pegada hídrica variam até 3 vezes conforme o método (análise de ciclo de vida vs. modelos de Hoekstra), e a maioria dos estudos foca na Califórnia, ignorando outras origens; novos estudos sobre amêndoa espanhola e portuguesa estão a surgir, mas ainda são escassos (segundo revisão da FAO, 2023). Além disso, a mortalidade das abelhas é difícil de separar de outros fatores como neonicotinoides e variação climática anual — a atribuição direta à amêndoa é frequentemente exagerada nos média.
A investigação futura deve focar em: comparações regionais com dados primários, a pegada real do processamento (água usada na indústria, embalagens), e o impacto de longo prazo das práticas de polinização alternativa. Enquanto isso, o consumidor pode agir com base no que é sólido: a amêndoa não é uma escolha perigosa, mas também não é a mais eficiente. A adoção de leites de aveia e soja reduz mais emissões e água por litro, e apoiar produtores de amêndoa sustentável ajuda a transformar o setor. Não se trata de demonizar a amêndoa, mas de escolher informadamente, com flexibilidade e sem culpa.
"Key stat: a produção de leite de vaca emite cerca de 8 vezes mais CO2e por litro do que o de amêndoa, mas gasta quase o dobro da água; a ciência sugere que, em geral, trocar vaca por qualquer vegetal é benéfico para o clima." (Poore & Nemecek, 2018)
Leia a seguir
As perguntas mais comuns
As pessoas também perguntam
Fontes
- Our World in Data – Environmental impact of food production
- Poore & Nemecek (2018) – Reducing food's environmental impacts through producers and consumers
- Almond Board of California – Almond Industry Facts
- USDA – Honey Bee Health and Almond Pollination
- California Department of Water Resources – Almond Water Use
- Mekonnen & Hoekstra (2011) – The green, blue and grey water footprint of crops and derived crop products