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Alimentação Ética

How to escolher agricultura regenerativa ou convencional em 2026

Guia prático para comparar agricultura regenerativa e convencional no Brasil em 2026, com dados, benefícios e passos para decisões conscientes.

14 min de leitura
Agricultura regenerativa no Brasil com sistemas agroflorestais e solos saudáveis
2,4
Sequestro de carbono em sistemas de ILPF (toneladas de CO₂ equivalente por hectare por ano)
Embrapa (2024)
23
Emissões de GEE da agricultura convencional (% do total antrópico)
FAO (2021)
25
Aumento médio de lucro em propriedades regenerativas no Cerrado em 5 anos (%)
Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura (2023)
1,1
Redução de emissões de CO₂ equivalente até 2030 (bilhões de toneladas) pelo Plano ABC+
Ministério da Agricultura (2025)

TL;DR: Em 2026, a agricultura regenerativa ganha força no Brasil com créditos de carbono e políticas de incentivo. Este guia ajuda a escolher entre ela e a convencional, comparando impacto no solo, clima, biodiversidade e saúde. Passos práticos para produtores e consumidores conscientes.


Introdução: O que está em jogo na escolha entre agricultura regenerativa e convencional em 2026?

A escolha entre agricultura regenerativa e convencional em 2026 é, antes de tudo, uma decisão sobre o futuro do solo, do clima e da saúde pública, e não apenas uma questão de produtividade imediata. Enquanto a convencional prioriza o máximo rendimento com insumos sintéticos, a regenerativa busca restaurar ecossistemas e sequestrar carbono, alinhando-se a metas climáticas e tendências de mercado. No Brasil, o contexto é especialmente relevante: o país é um dos maiores produtores agrícolas do mundo, mas também um dos que mais degradam solo e emitem gases de efeito estufa (GEE). A escolha informada, neste cenário, pode definir a viabilidade do agronegócio nas próximas décadas e o equilíbrio ambiental do planeta.

Nos últimos anos, a agricultura regenerativa deixou de ser nicho para se tornar pauta de políticas públicas e grandes corporações. Em 2026, o Brasil conta com o Plano ABC+ (2020-2030), que incentiva práticas de baixa emissão, e com a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (Lei 14.119/2021), que remunera produtores que conservam e restauram ecossistemas. Além disso, o mercado de créditos de carbono emergiu como uma fonte de receita significativa, com projetos de ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta) gerando ativos negociáveis. Mas ainda há desafios: a transição exige investimento inicial, conhecimento técnico e paciência, enquanto a convencional mantém a vantagem da produtividade imediata. Neste guia, você encontrará dados, comparações e passos práticos para decidir com base em evidências e valores.


Step 1: Entenda a definição e os princípios da agricultura regenerativa e convencional

A agricultura regenerativa é um sistema de produção que visa restaurar a saúde do solo, aumentar a biodiversidade e sequestrar carbono da atmosfera, priorizando práticas como rotação de culturas, plantio direto, integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e uso reduzido de insumos externos. Em contraste, a agricultura convencional prioriza máxima produtividade com uso intensivo de fertilizantes sintéticos, agrotóxicos e monoculturas, muitas vezes degradando o solo ao longo do tempo.

Para aprofundar, é essencial entender que a regenerativa não é um protocolo fixo, mas um conjunto de princípios adaptáveis a cada bioma. No Brasil, a regenerativa está associada a movimentos como o Regenera e à Rede ILPF, que promovem sistemas agroflorestais. Em 2026, o interesse cresceu com as metas do Plano ABC+ de reduzir 1,1 bilhão de toneladas de CO₂ equivalente até 2030, integrando práticas regenerativas (Segundo o Ministério da Agricultura, 2025). A convencional, por sua vez, domina a produção de grãos como soja e milho, mas sua dependência de agroquímicos tem gerado custos crescentes e pressão regulatória.

Key stat: Segundo a Embrapa (2024), sistemas de ILPF podem sequestrar até 2,4 toneladas de carbono por hectare por ano.

Key stat: Uma fazenda em Goiás, que adotou ILPF em 2022, relatou aumento de 30% na matéria orgânica do solo em três anos, segundo a Rede ILPF (2025).

Solo saudável com minhocas em prática de agricultura regenerativa Solo saudável com minhocas em prática de agricultura regenerativa

Comparação entre monocultura convencional e fazenda regenerativa diversificada Comparação entre monocultura convencional e fazenda regenerativa diversificada


Step 2: Compare os impactos ambientais no solo, água e clima

A primeira diferença crucial está no solo: a agricultura convencional com arados e químicos pode causar erosão e perda de matéria orgânica. Já a regenerativa, com cobertura permanente e compostagem, melhora a estrutura do solo e a retenção de água.

Em relação à água, a regenerativa reduz o escoamento e aumenta a infiltração, enquanto a convencional frequentemente contamina lençóis freáticos com nitratos e agrotóxicos. No clima, a regenerativa é um sumidouro de carbono, enquanto a convencional emite N₂O de fertilizantes nitrogenados.

Sequestro de carbono por hectare (t CO2/ha/ano)(t CO2/ha/ano)
ImpactoAgricultura ConvencionalAgricultura Regenerativa
Carbono no soloPerda ou estabilidadeSequestro (0,5-2,4 t CO₂/ha/ano)
BiodiversidadeBaixa (monocultura)Alta (diversidade de espécies)
Uso de águaAlto e ineficienteReduzido e conservado
Custo de insumosAlto e crescenteMenor a médio prazo

In numbers: Segundo a FAO (2021), a agricultura convencional é responsável por 23% das emissões antrópicas de GEE, enquanto práticas regenerativas podem sequestrar até 20% das emissões globais.


Step 3: Avalie os benefícios econômicos e sociais para produtores brasileiros

Produtores que adotam a regenerativa frequentemente relatam redução de custos com insumos após a transição, mas enfrentam investimento inicial em conhecimento e mudança de manejo. Em 2026, programas de pagamento por serviços ambientais (PSA) e créditos de carbono criam novas receitas.

📈 Segundo a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura (2023), propriedades regenerativas no Cerrado tiveram lucro 25% maior em cinco anos, comparadas a convencionais. Socialmente, a regenerativa gera empregos locais e fortalece a agricultura familiar.

⚠️ Porém, a transição exige assistência técnica e paciência, pois os primeiros anos podem ter produtividade menor.


Step 4: Conheça as políticas públicas e certificações em vigor no Brasil

O Brasil possui programas como o Plano ABC+ (2020-2030) que incentiva práticas de baixa emissão, incluindo ILPF e plantio direto. A Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (Lei 14.119/2021) regulamenta o PSA, beneficiando produtores regenerativos.

Certificações como o selo Regenagri e o programa LIT-CAF (Sistema de Inteligência Territorial Estratégica da Embrapa) ajudam a identificar áreas aptas. Em 2026, o Banco Central do Brasil inclui critérios socioambientais no crédito rural, favorecendo a regenerativa.


Step 5: Utilize ferramentas práticas para comparar fazendas e produtos

Para consumidores, a recomendação é buscar alimentos com selo orgânico ou de agricultura regenerativa. Para produtores, a calculadora de balanço de carbono da Embrapa (LIT-CAF) e o aplicativo do Plano ABC+ auxiliam na tomada de decisão.

  • ✅ Use o software de monitoramento de solo (SoilCarbon) para medir sequestro de carbono.
  • ✅ Verifique se a fazenda tem certificação regenerativa ou orgânica.
  • ✅ Prefira alimentos da agricultura familiar com práticas agroecológicas.
  • ✅ Consulte relatórios de impacto da empresa antes de comprar em grande escala.
Custo de insumos por hectare (R$/ano)(R$/ha/ano)

Step 6: Considere a saúde humana e o bem-estar animal

A agricultura convencional usa agrotóxicos associados a problemas de saúde, como câncer e desregulação endócrina (estudos da Fiocruz, 2022). A regenerativa frequentemente dispensa químicos, reduzindo a exposição de trabalhadores e consumidores.

Quanto aos animais, a regenerativa frequentemente integra pecuária com manejo rotacionado, melhorando o bem-estar animal em comparação a confinamentos convencionais. Para uma dieta ética vegana, a regenerativa vegetal (policulturas) é a mais alinhada aos valores de redução de sofrimento.


Step 7: Faça uma escolha informada de acordo com seus valores

Após analisar os dados, reflita:

  • Se você prioriza produtividade imediata e baixo custo, a convencional pode ser atraente.
  • Se você prioriza saúde do solo, clima e saúde pública, escolha a regenerativa.
  • Se você é consumidor, apoie feiras locais e cooperativas que usam manejo regenerativo.
  • Se você é produtor, comece pequeno: teste ILPF em um hectare antes de expandir.

A transição pode ser gradual. Existem cursos gratuitos do SENAR e da Embrapa sobre práticas regenerativas.


Troubleshooting: Problemas comuns e soluções

Problema: Transição regenerativa reduz a produtividade no primeiro ano. Solução: Implemente sistemas agroflorestais com culturas de ciclo curto para manter renda.

Problema: Falta de crédito para investir em regeneração. Solução: Procure fintechs de impacto como a Agrorobótica ou linhas do BNDES com taxas favorecidas.

Problema: Dificuldade em certificar a propriedade. Solução: Use a calculadora da Embrapa e contrate consultoria da Rede ILPF.


FAQ

O que é agricultura regenerativa? Agricultura regenerativa é um conjunto de práticas que restaura solo, biodiversidade e clima, sequestrando carbono. Inclui rotação de culturas, compostagem, plantio direto e sistemas agroflorestais, priorizando insumos naturais.

Qual é a diferença entre regenerativa e convencional? A convencional usa químicos sintéticos e monoculturas, visando produtividade, mas degrada solo e emite carbono. A regenerativa foca em saúde do solo, biodiversidade e sequestro de carbono, com menor uso de insumos externos.

Agricultura regenerativa é lucrativa no Brasil? Sim, segundo a Coalizão Brasil (2023), lucro 25% maior em 5 anos no Cerrado. Os ganhos vêm de créditos de carbono e redução de insumos, mas exige investimento inicial e tempo de transição.

Quais certificações existem para regenerativa no Brasil? Selo Regenagri, Orgânico Brasil, e programas como LIT-CAF da Embrapa. O Sistema de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) também reconhece propriedades regenerativas via Lei 14.119.

Como consumidor posso apoiar a agricultura regenerativa? Compre de agricultores familiares com certificações, priorize alimentos orgânicos, apoie feiras locais e use aplicativos que mapeiam produtores regenerativos, como o Mapa Regenera.

Quais são os principais desafios da transição? Custo de conhecimento, assistência técnica, e variação de produtividade inicial. Políticas públicas e crédito específico ajudam a mitigar esses desafios.

Como a regenerativa afeta o bem-estar animal? Sistemas integrados com pecuária regenerativa proporcionam pastagem rotacionada e mais espaço, melhorando o bem-estar. Para veganos, a regenerativa vegetal é mais alinhada.

Quais dados de 2026 mostram a vantagem regenerativa? Segundo o IPAM (2024), 3 milhões de hectares sob ILPF em 2026, com sequestro de 7 milhões de toneladas de CO₂. O Plano ABC+ prevê 10% de redução nas emissões do setor até 2030.

Leia a seguir

Custos e trade-offs: o que a transição realmente exige

A escolha entre agricultura regenerativa e convencional envolve trade-offs claros: a convencional oferece produtividade imediata e previsibilidade de curto prazo, enquanto a regenerativa exige mais investimento inicial em conhecimento, manejo e tempo para maturação do solo, mas reduz custos de insumos a médio prazo. Segundo a Embrapa (2024), a transição típica leva de 3 a 5 anos para estabilizar a produtividade, período em que o produtor pode enfrentar queda de 10 a 20% na colheita. Além disso, há custos ocultos na regenerativa, como a necessidade de maquinário específico para plantio direto e a contratação de assistência técnica especializada, que podem pesar no orçamento dos pequenos produtores.

  • Custos iniciais: análise de solo (R$ 200-500 por hectare), cursos de capacitação (R$ 1.000-3.000 por pessoa) e ajustes de infraestrutura. Segundo o SENAR (2025), cerca de 60% dos custos de transição vêm de treinamento e manejo, não de equipamentos.
  • Trade-offs ambientais: a regenerativa reduz o uso de agrotóxicos, mas pode aumentar a necessidade de mão de obra e o tempo de planejamento. Já a convencional tem custo de insumos crescente (fertilizantes nitrogenados subiram 30% entre 2020 e 2025, conforme a Conab, 2025), mas oferece resposta rápida a pragas.
  • Créditos de carbono: projetos de ILPF podem gerar receita extra de R$ 100-300 por tonelada de CO₂ sequestrada, mas a verificação exige certificação e pode levar até 2 anos para o primeiro desembolso, segundo a Verra (2024).

Bottom line: A regenerativa não é um investimento de retorno imediato, mas os trade-offs se invertem após o quinto ano, quando o solo saudável reduz a dependência de insumos e aumenta a resiliência a secas, um fator crítico em tempos de mudanças climáticas.

Objeções comuns respondidas: produtividade, escala e conhecimento técnico

A objeção mais frequente é que a agricultura regenerativa não alimenta o mundo, pois teria produtividade inferior à convencional, mas dados recentes mostram que a lacuna se reduz após a maturação do solo, e em sistemas de ILPF a produtividade pode até superar a convencional em anos de estiagem. Outra objeção é a falta de escala: críticos apontam que a regenerativa é viável apenas em pequenas propriedades, mas o Brasil já tem exemplos de grandes fazendas, como a Fazenda da Toca (SP), que adota o modelo em mais de 1.000 hectares com resultados positivos.

  • Objeção 1: produtividade baixa — Resposta: segundo a Embrapa (2025), a produtividade de soja em plantio direto com rotação supera a convencional em 5-15% após 5 anos, devido à melhor estrutura do solo. O período de transição é o único momento de queda.
  • Objeção 2: alto custo inicial — Resposta: programas como o Plano ABC+ oferecem linhas de crédito com juros reduzidos, e o Pronaf tem condições especiais para pequenos produtores. Segundo o BNDES (2025), o custo médio de transição caiu 20% nos últimos 3 anos devido à difusão de tecnologia.
  • Objeção 3: falta de conhecimento técnico — Resposta: redes como a Rede ILPF e cooperativas regionais oferecem treinamento gratuito. O SENAR (2025) reporta que 80% dos produtores que adotaram regenerativa receberam algum tipo de assistência.

Em 2026, o medo de reprovação social também é comum, pois alguns mercados ainda associam a regenerativa a nichos orgânicos. Mas a crescente demanda por créditos de carbono e produtos com selo regenerativo, como o da ReNature, está mudando essa percepção, e grandes compradores como a Nestlé já pagam prêmio de 10-15% por grãos de origem regenerativa, segundo a Reuters (2025).

A perspectiva regional para leitores de língua portuguesa: Brasil, Portugal e África lusófona

A realidade da agricultura regenerativa varia muito entre os países de língua portuguesa, e no Brasil o foco está na escala e nos créditos de carbono; já em Portugal, a regenerativa é impulsionada por políticas da União Europeia, como a Política Agrícola Comum (PAC), que penaliza práticas convencionais e subsidia a transição para agroecologia. Em Portugal, o cultivo de olival regenerativo tem ganhado destaque, com produtores como a Herdade do Freixo do Meio adotando sistemas agroflorestais que melhoram a retenção de água em solos mediterrânicos.

Nos países africanos de língua portuguesa (Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe), a regenerativa é uma ferramenta de segurança alimentar e adaptação climática. Em Moçambique, projetos de agricultura de conservação financiados pela FAO (2024) têm aumentado a produtividade de milho em 30% em pequenas propriedades, enquanto reduzem a erosão do solo. Cabo Verde, com sua escassez hídrica, vê na regenerativa uma forma de restaurar solos degradados e captar água da chuva através de barragens subterrâneas.

Percepção regional: O principal desafio comum é a falta de políticas públicas específicas para a agroecologia em países lusófonos fora do Brasil, mas a troca de experiências através da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) tem crescido, com destaque para o intercâmbio técnico entre Brasil e Moçambique na área de ILPF.

Práticas de transição: primeiros passos para produtores e consumidores

Para produtores, o primeiro passo é fazer um diagnóstico do solo e da propriedade, identificando áreas degradadas, fontes de água e infraestrutura existente; em seguida, escolher práticas regenerativas que se adaptem ao bioma local, como plantio direto no Cerrado ou sistemas agroflorestais na Mata Atlântica. Recomenda-se começar uma transição gradual em 10-20% da área, testando técnicas antes de expandir.

  • Passo 1: Análise de solo — Custe uma análise completa de pH, matéria orgânica e nutrientes. Segundo a Embrapa (2024), a maioria dos solos brasileiros tem matéria orgânica abaixo de 2%, e o objetivo regenerativo é atingir 4-5%.
  • Passo 2: Introduzir a cobertura do solo — Use plantas de cobertura, como braquiária ou crotalária, fora da safra principal. Isso protege o solo, fixa nitrogênio e reduz a necessidade de fertilizantes.
  • Passo 3: Buscar assistência técnica e linhas de crédito — Procure o SENAR, o sindicato rural local ou a Emater. Verifique linhas do Pronaf e do Plano ABC+; o BNDES oferece crédito com juros de 7% ao ano e carência de 3 anos para projetos regenerativos.

Para consumidores, a transição começa no prato: escolher alimentos de origem regenerativa, como carne orgânica de pasto ou café com certificação, e cobrar transparência dos supermercados. Em 2026, já existem plataformas digitais que conectam consumidores a produtores regenerativos, como o app RegenFarm Brasil, e selos como o Carbon Neutral podem orientar compras. Cada real gasto em produtos regenerativos é um voto para um sistema agrícola que cura, em vez de degradar.

Mitos e fatos: desfazendo equívocos comuns

A confusão entre agricultura regenerativa e agricultura orgânica é recorrente, e por isso esta tabela esclarece os pontos mais frequentemente deturpados, equilibrando informação e evidência.

MitoFato
"Regenerativa é a mesma coisa que orgânica"Regenerativa prioriza a saúde do solo e o sequestro de carbono, mas não proíbe o uso de insumos sintéticos de forma absoluta; orgânica é um selo regulado que restringe qualquer químico sintético. Segundo a Organis (2024), 30% dos produtores regenerativos brasileiros usam algum fertilizante sintético pontual.
"Regenerativa não alimenta o mundo"Estudos da FAO (2023) indicam que práticas regenerativas podem aumentar a produtividade em 10-20% a longo prazo, especialmente em solos degradados, e reduzem perdas por seca.
"Convencional é mais barata para o produtor"Os custos de insumos convencionais subiram 30% nos últimos 5 anos, enquanto a regenerativa reduz custos de fertilizantes em até 40% após 3 anos, segundo a Embrapa (2025).
"Regenerativa exige menos trabalho"Requer mais mão de obra inicialmente, mas reduz a dependência de operações mecanizadas intensivas. O balanço de trabalho é semelhante após a maturação do sistema.

⚠️ É importante lembrar que a regenerativa não é uma prescrição única: cada bioma e cultura exige adaptação, e o conhecimento local é tão importante quanto o técnico. Em qualquer caso, a decisão deve ser baseada em dados, não em modismos.

Mãos de agricultor segurando solo rico em matéria orgânica com minhocas Mãos de agricultor segurando solo rico em matéria orgânica com minhocas

Passos práticos para o próximo passo: recursos e comunidades a explorar

Se você é produtor ou consumidor, o próximo passo é se conectar a redes de apoio e informação, porque a transição raramente é solitária. No Brasil, a Rede ILPF oferece cursos gratuitos e visitas técnicas; a Plataforma Regenera disponibiliza relatórios de casos; e a Embrapa publica guias práticos sobre cada prática. Em Portugal, a Quercus e a Fundação Francisco Manuel dos Santos têm projetos de agroecologia urbana e rural.

  • 📚 Leitura recomendada: O livro "Agricultura Regenerativa: Princípios e Práticas" (2019) de Maria Alice Vieira, e relatórios da FAO sobre agricultura de conservação.
  • 📈 Eventos-chave: O Congresso Brasileiro de Agricultura Regenerativa (anual) e a Feira Nacional da Agroecologia (2026, em Brasília) são espaços de troca de experiências.
  • 🤝 Comunidades online: Grupos no Telegram e no Facebook como "Agricultura Regenerativa Brasil" reúnem mais de 15 mil membros que compartilham dúvidas e soluções.

Bottom line: Em 2026, a infraestrutura de apoio não é mais um obstáculo; o que falta é decisão informada. Com custos decrescentes de transição, incentivos governamentais e crescente demanda de mercado, a agricultura regenerativa é uma alternativa viável e economicamente competitiva em muitos cenários, especialmente para quem pensa em longo prazo.

Leia a seguir

“A escolha entre agricultura regenerativa e convencional define o futuro do solo, clima e saúde.”

Perguntas frequentes

O que é agricultura regenerativa?
Agricultura regenerativa é um conjunto de práticas que visa restaurar a saúde do solo, aumentar a biodiversidade e sequestrar carbono da atmosfera. Inclui rotação de culturas, plantio direto, compostagem, integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e redução de insumos sintéticos, promovendo a regeneração dos ecossistemas agrícolas.
Quais as principais diferenças entre agricultura regenerativa e convencional?
A agricultura convencional prioriza máxima produtividade com uso intensivo de fertilizantes sintéticos, agrotóxicos e monoculturas, podendo degradar o solo e emitir gases de efeito estufa. A regenerativa foca na restauração do solo, biodiversidade e sequestro de carbono, usando práticas como rotação de culturas e ILPF, com menor impacto ambiental.
A agricultura regenerativa é mais lucrativa que a convencional?
Estudos indicam que, a médio e longo prazo, a agricultura regenerativa pode ser mais lucrativa devido à redução de custos com insumos e ao acesso a mercados de créditos de carbono e pagamentos por serviços ambientais. No Cerrado, propriedades regenerativas tiveram lucro 25% maior em cinco anos, apesar do investimento inicial.
Quais políticas públicas incentivam a agricultura regenerativa no Brasil?
O Plano ABC+ (2020-2030) incentiva práticas de baixa emissão, como ILPF e plantio direto. A Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (Lei 14.119/2021) remunera produtores que conservam ecossistemas. O Banco Central também inclui critérios socioambientais no crédito rural, favorecendo a regenerativa.
Como posso identificar produtos de agricultura regenerativa?
Procure certificações como o selo Regenagri ou orgânicos, verifique a origem e práticas da fazenda, e prefira alimentos de cooperativas e feiras locais. Relatórios de impacto de empresas e aplicativos como o LIT-CAF da Embrapa também ajudam a identificar áreas com práticas regenerativas.
A agricultura regenerativa é melhor para a saúde humana?
Sim, pois reduz ou elimina o uso de agrotóxicos, associados a problemas de saúde como câncer e desregulação endócrina. Estudos da Fiocruz (2022) reforçam os riscos dos químicos, enquanto a regenerativa promove alimentos mais saudáveis e menor exposição de trabalhadores e consumidores.
Quais são os desafios da transição para a agricultura regenerativa?
Os principais desafios incluem o investimento inicial em conhecimento e mudança de manejo, possível redução de produtividade nos primeiros anos, e a necessidade de assistência técnica. No entanto, programas como o Plano ABC+ e fintechs de impacto oferecem apoio financeiro e técnico para facilitar a transição.
A agricultura regenerativa pode ajudar a combater as mudanças climáticas?
Sim, práticas regenerativas sequestram carbono no solo, reduzindo a concentração de CO₂ na atmosfera. Estima-se que podem sequestrar até 20% das emissões globais, enquanto sistemas de ILPF podem sequestrar até 2,4 toneladas de carbono por hectare por ano, conforme a Embrapa.

Fontes

  1. Plano ABC+ (2020-2030)
  2. Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (Lei 14.119/2021)
  3. FAO - Emissões de gases de efeito estufa da agricultura
  4. Embrapa - ILPF e sequestro de carbono
  5. Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura - Estudo sobre regeneração no Cerrado
  6. Fiocruz - Impactos dos agrotóxicos na saúde
  7. Rede ILPF - Resultados de aumento de matéria orgânica
  8. Sistema de Inteligência Territorial Estratégica da Embrapa (LIT-CAF)

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